22
Jul
09

Inimigos da HP

Alguém pode, pelo amor de Deus, me dizer que porra é HP? Seria a marca de impressoras? Porque se for, é um ódio muito injusto! Minha impressora multifuncional é HP e funciona perfeitamente desde que eu usava fraudas. Ok, mentira, eu não usei frauda até tão tarde não, apesar de, até os 9 anos mais ou menos, ter medo de dormir na casa dos meus amigos e sonhar que estava mijando, porque [caralho!] toda vez eu sonhava eu acordava mijado ¬¬ Mas sim, mesmo não sendo desde que eu uso fraudas, a minha impressora é bem antiga, tanto que eu já troquei de computador 3 vezes e ela continua a mesma. Então, abolindo a possibilidade da impressora, eu pensei que podia ser Harry Potter. Depois que Daniel Radcliffe mostrou a sua performance com CAVALOS, qual é a graça de vê-lo segurando uma varinha durante o filme, não é mesmo? Eu tentei imaginar outras possíveis abreviações de HP, como Home Page, Hamburguer Pago, Hentai Pornô (eu sei que pleonástico, mas tem gente que não entende pô!)… mas por mais que eu pense, nada faz muito sentido. Se alguém souber, por favor, me explique, por que isso anda tirando o meu sono! haushaushau Eu fui pra um “show” deles antes de ontem e fiquei intrigado, além do mais, a música era TÃO ruim que era mais legal ficar ouvindo meus pensamentos divagarem sobre o que seria HP mesmo. Poderia ser uma mensagem subliminar? Teeenso!
Eu queria agradecer a força que me deram no post anterior, eu ando meio down, mas desde que a Inimigos da HP entrou na minha vida, eu estou bem mais contente, já que descobri que existe, afinal, uma coisa pior que consciência culpada! Ah, mas vale ressaltar que apesar do bom resultado, eu não recomendo… Essa banda pode causar efeitos colaterais. Eu por exemplo, me despedi do pessoal com um “Bye Bye” super viado. Bizarro!

Ps: antes de ir embora, eu gostaria de compartilhar toda a sabedoria do meu grande amigo Matheuzinho, que me deixou um comentário realmente consolador no último post: “Não importa o quanto a merda é grande, sempre há uma descarga a vácuo pra desentupir a privada!” Nossa, uau… é como dizem, fazendo merda que se aduba a vida, não é? Obrigado Matheus, por sua colaboração.

03
Jul
09

de volta pra casa?

Essa semana eu cheguei a conclusão que tudo complica com a idade. Quando eu era criança, sempre que eu fazia uma merda eu forçava uma cara de “gato-de-botas do shrek” e meus pais ficavam com pena de mim. No início era só minha mãe que se deixava abalar por minhas chantagens emocionais, e meu pai sempre reclamava e dizia que eu merecia uma surra de cinto pra tomar vergonha na cara shausha, mas depois minha mãe foi embora, e meu pai passou a me adular também, afinal, eu era o pobre filho abandonado pela mãe e merecia muita compreensão. Essa fase era massa, eu fazia muita besteira, mas muita besteira mesmo. Sabe aqueles pirralhos de filme que colocam um sapo na sopa da tia gorda e feia que vai passar uns dias na sua casa? Pois é, eu era desse tipo, com exceção do sapo, porque sapos são gelados e nojentos… eu preferia usar baratas, grilos, gafanhotos, esses insetos que são sensação entre as mulheres. Meu principal alvo era minha madrasta haushaushuahsua ela sofreu muito na minha mão; mas meu pai sempre dizia que eu ela devia ser compreensiva porque eu tinha passado por muitos traumas na minha vida e era um garoto muito problemático. Deve ser por isso que hoje em dia eu sou meio mimado, não mimado como esses filhinhos de papai, mas quando eu quero uma coisa, eu não paro até conseguir. Claro que não espero que as coisas que eu quero caiam do céu, por isso corro sempre atrás, seja estudando, trabalhando, dançando ula, ou qualquer outra porra. Quando eu fiquei mais velho essa minha mania de querer conseguir tudo começou a me causar problemas, principalmente quando eu quis aplicar no tema relacionamento. Eu me “apaixonava” pelas meninas e grudava nelas. Mandava flores, mandava chocolate, chamava pra sair, fazia amizade com os pais dela e aparecia “coincidentemente” nas festas que elas iam. Mas no final, quando elas se cansavam de ter um pentelho atrás delas e me davam uma chance, eu simplesmente achava alguém mais legal pra investir meu interesse. Não sei se dá pra entender… eu passava tanto tempo querendo conquistar uma mina e investia tanta expectativa nisso, que quando conquistava era uma decepção pra mim. Fique claro que isso foi no início, no auge da minha adolescência… hoje em dia eu sou diferente. E não me “apaixono” mais pra me aproximar, mas é a proximidade que faz eu querer ou não me relacionar com alguém, e dessa forma, eu não crio mais expectativas nem tenho mais frustrações. Mas eu estou mudando de assunto… o que eu quero dizer, é que tudo era mais fácil quando eu podia apelar pro meu pai, ou quando eu podia dizer pras meninas que aquela minha “inconstância” era culpa da idade, que eu estava numa época de querer curtir. O problema é que o tempo passou, e eu não estou mais nessa época. Acredite ou não, eu tenho 26 anos, e no entanto, não estou nem perto de ter uma vida de adulto equilibrado e responsável. Eu moro (ou pelo menos morava) com dois amigos, e meu pai ainda paga minhas contas. Essa semana eu passei na casa onde eu cresci, a babá que trocava minhas fraudas ainda trabalha lá… ela não tem mais pique pra ficar correndo em círculos atrás de mim, mas ainda é a pessoa mais próxima de uma mãe que eu tive. E o fato é que eu estava conversando com ela, e ela disse que meu pai queria dar a minha coleção de carros de controle remoto que ficam entulhando o meu antigo quarto, porque ele quer transformar o cômodo em quarto de visitas. Eu nem lembrava desses carros, mas quando ela falou, eu fui olhar… caralho, deu uma sensação estranha. Eu queria que eu fosse de controle remoto e que houvesse alguém pra ficar apontando minha direção, porque eu to meio sem ter pra onde ir agora, e nem mais meu quarto me pertence. Eu não sei porque estou escrevendo isso, só sei que eu fiz uma besteira grande e não tenho pra mais como apelar pra idade, nem pra traumas de infância, porque durante toda minha vida eu fiz questão de repetir que havia superado todos. Eu agora tenho que arcar com as conseqüências dos meus próprios atos.

12
Jun
09

aos (quase) namorados.

Hoje eu acordei pensando em Renata. Você provavelmente não a conhece. Aliás, nem eu a conheço. Mas costumava conhecer… Eu devia ter por volta dos doze anos, quando ela se mudou pro meu prédio. Ela era muito linda, mano. E eu tinha certeza que ela seria a mulher da minha vida.
Naquele tempo eu ainda descia para jogar bola no salão de festas; ou melhor, naquele tempo eu ainda cabia no salão de festas, porque mais tarde, quando passei a alcançar os pés no fundo da piscina, eu me tornei muito espaçoso, e aquele lugar começou a parecer pequeno demais para mim. Além do mais, o síndico não permitia que andassem de skate no pátio e nem brincadeiras com bexiga d’água no elevador. Mas até então essas coisas não me incomodavam… e mesmo que incomodassem, eu iria ignora-las só pra ver Renata brincando de pular corda lá embaixo. Como havia rixa entre meninos e meninas, a gente sempre dividia o pátio em dois. Fazíamos uma linha de giz e determinávamos qual era o lado de quem. Eu confesso que achava isso um saco; porque não podíamos brincar todo mundo junto? Quer dizer, eu até preferia brincar com as meninas! Não me entendam mal, ok? Pular corda não é bem minha praia, mas garotas são, e eu achava irado o jeito como a saia delas subia cada vez que elas pulavam. Mas bem, de qualquer forma, as minhas tentativas de interação com aquela civilização misteriosa de amazonas eram todas em vão. Sempre que eu arriscava uma aproximação, era posto de escanteio.
Até que um dia Renata torceu o pé pulando corda. Foi ela caindo no chão e meus olhos detectando a oportunidade perfeita para penetrar a defesa. Deixei os meus amigos sem goleiro (eu sempre ficava no gol, porque ficava mais perto da linha divisória) e corri pra ajudar ela. Eu não sabia muito bem o que fazer… Tentei colocar ela no colo, mas os meus braços começaram a tremer antes de completar o segundo passo, e como eu fiquei com medo que eles desmontassem, resolvei só apoiar ela no meu ombro mesmo. Deu certo. Levei-a até o elevador. Ela tava chorando; e eu sei que parece muito sádico, mas eu estava adorando! Ela chorava na minha camisa, e eu pensava “caralho, nunca que eu lavo essa camisa”. As amigas dela pareciam galinhas ciscadeiras, e ficavam… ficavam… qual o nome do som que as galinhas fazem? Os cachorros latem, os gatos miam e galinhas…? fazem cocoricó? Existe um nome específico para “fazer cocoricó”? Tanto faz. O importante é que elas “fizeram cocoricó” durante toda a subida do elevador… vocês conseguem imaginar isso? Foram 13 andares de cocoricó no meu ouvindo!, mas eu nem tava ligando. Só conseguia pensar em como ela iria à minha casa para agradecer a gentileza, e eu pediria que ela entrasse, e a chamaria pra jogar Super Nintendo e depois a beijaria como prêmio de consolação pela quantidade de vezes que ela ia perder pra mim. Estavam tudo as mil maravilhas; afinal, eu estava a um passo de conquistar a minha primeira namorada… Entretanto, algo inesperado aconteceu. Quando chegamos à casa dela, a porta se abriu… Caralho, me lembro como se fosse agora… a porta se abrindo em câmera lenta. Quem abriu foi uma menina bem mais alta do que eu, bem branca, cabelos bem pretos e bem lisos, cortados na altura do queixo. Ela tava usando um vestido curto e salto alto. Até hoje eu não sei como eu não deixei Renata cair. Naquele momento o meu coração disparou, e então eu tive certeza que a irmã mais velha de Renata é que seria, na verdade, a mulher da minha vida. Isso até eu conhecer Tereza, e Camila, e Joana, e Patrícia, Gabriela, Mariana… Todas elas foram, pelo menos por um minuto, as mulheres da minha vida. E é a todas elas que eu dedico esse post do dia dos namorados.

08
Jun
09

Dias intermediários

Depois de um longo tempo distante, aqui estou eu de volta. Toda essa chuva causou um acidente na minha rua; um caminhão bateu num poste e deu problema em toda rede de energia. E não sendo o bastante, queimou metade dos eletrônicos de todo mundo do bairro, inclusive os dois computadores que tinham por aqui. Uma beleza! O novo computador demorou, mais chegou. Chegou semana passada até, mas teve o tempo de instalar a internet também, e eu fiquei com preguiça de postar antes também; ou talvez eu não soubesse exatamente o que postar. Eu até parei pra pensar qual era a real finalidade desse blog, mas cheguei a conclusão de que não existe uma real finalidade.
Porque a gente sempre tem que saber a finalidade das coisas? Estudamos pra passar no vestibular, passamos no vestibular pra entrar numa faculdade, entramos na faculdade para nos tornarmos bons profissionais, nos tornamos bons profissionais para ganhar dinheiro, ganhamos dinheiro para nos sustentar, nos sustentamos para continuarmos vivos e continuamos vivos pra morrer. Sou só eu que acho isso uma merda? Seguimos toda uma seqüência de objetivos para que no final de tudo a gente morra e deixe um seguro de vida (que deveria se chamar seguro de morte) para que nossos familiares possam continuar vivendo sem nós. Na boa… Isso é muito melancólico. Seria tão melhor se pudéssemos fazer as coisas sem saber o porquê. Simplesmente não planejar o nosso dia, não marcar horários… Apenas acordar e deixar que as horas seguissem seu fluxo, trazendo qualquer que fosse o nosso destino. Não estou dizendo que acredito nessa coisa de predestinação… Acho que o destino é o ponto onde todas as nossas escolhas convergem. Se quisermos mudar nosso destino, basta mudar nossas escolhas. Mas de toda forma, a partir do momento em que acordamos e escolhemos levantar, já estamos fazendo uma das escolhas que definirão o destino daquele dia, não é? Se não escolhêssemos levantar, por exemplo, o nosso destino seria passar o dia na cama. É claro que existem os agentes modificadores, tanto externos quanto internos… Uma ligação importante do seu pai, uma dor de barriga, uma namorada ciumenta… Essas coisas poderiam nos tirar da cama, mas ainda assim caberia apenas a nós mesmos decidir se iríamos atender o telefone, se iríamos ao banheiro ou se íamos deixar a namorada ter um ataque histérico.
Enfim, não sei aonde eu queria chegar com isso (nem tampouco queria saber), mas cheguei aqui, e agora estou indo, porque estou atrasado para dar mais alguns passos rumo a minha morte.

11
Abr
09

E depois do começo,

o que vier vai começar a ser o fim.

Não sei se é bom ou ruim, mas nunca estamos prontos para parar. Talvez seja por isso que ninguém nunca está realmente preparado para morrer. Mesmo os suicidas, aqueles covardes e corajosos o suficiente para abrirem mão de tudo, mesmo eles, devem se arrepender quando não há mais como voltar atrás. Por sinal, o que leva alguém a abrir mão de tudo? Eu tenho uma teoria: acredito que apenas aqueles que não suportam mais a si mesmos, são capazes de tamanha renúncia. Haverá quem chame de fuga, quem chame de crime; mas eu prefiro chamar de renúncia. Há sexo depois da morte? Me peguei fazendo essa pergunta (absurda?) outro dia. Concluí que não; mas me senti fortemente tentado a me converter ao islamismo. Não é o islamismo que prega o paraíso pornô? 72 virgens… Assim fica fácil explicar o suicídio, não é? Aposto que a maior parte dos homens bombas é de virgens quarentões. Mas e os outros casos? Bom, aí entra a minha teoria. Não ser capaz de se olhar no espelho, não ser capaz de se perdoar por uma escolha errada, se sentir incapaz de superar algum problema pessoal. Em suma, eu diria que o sentimento de impotência e a culpa são os dois maiores responsáveis pelos suicídios. Quantas vezes a gente não diz – até por brincadeira – que quer morrer? Eu mesmo disse isso semana passada, quando descobri tinha perdido uma prova de bioquímica industrial. A segunda chamada abrange 12 capítulos que, sozinhos, já são por demais assustadores; imagina todos juntos? “Caralho, quero morrer!” foi minha reação inicial. Entretanto, logo superei o impulso de virar um vidro de lexotan (para os suicidas interessados, um vidro de lexotan dificilmente mata, mas com uma dose de uísque talvez resolva o seu problema) e comecei a estudar freneticamente. O interessante é que quanto mais eu estudava, mas eu queria estudar. Não que eu seja um aluno exemplar, mas estudar às vezes é bom, sabe? Dá aquela sensação de que seu cérebro está sendo preenchido com coisas mais importantes que com espermatozóides que subiram à cabeça; e quando a gente termina, apesar de muito cansados, nos sentimos mais leves. Não sei se é a consciência do dever cumprido, ou se é o alívio de ter terminado finalmente; mas a sensação é muito boa, e é viciante! Tanto que eu passei a semana seguinte estudando diariamente, colocando todos os assuntos em dia. Infelizmente, como é de praxe, o feriadão me lembrou das graças do ócio; de como é assaltar a locadora e emendar a tarde e a noite assistindo filmes bons, rindo dos ruins, criticando histórias repetitivas e admirando as belíssimas proles de Hollywood. Mas, ainda sobre o suicídio: pra mim, tirar a própria vida é renunciar do livre arbítrio. Enquanto estamos vivos, podemos fazer nossas próprias escolhas. Escolher caminhos a trilhar, escolher parar, continuar ou voltar atrás; podemos dizer sim, não, ou sei lá. Podemos enfrentar os obstáculos, ou nos entregar a eles; e até quando escolhemos a segunda opção, temos a chance de dar a volta por cima. Um lutador nocauteado sempre pode levantar e virar a luta, mas um lutador morto está morto e pronto. A morte é tão obscura a nós, que é a única coisa da qual não podemos desistir. Desistimos de um amor, de um curso, de uma profissão, da vida!… mas não podemos desistir da morte – no máximo, podemos adiá-la. Como diria Davy Jones: você teme a morte? Eu temo. Eu admiraria a coragem dos suicidas, se essa coragem não fosse tão contraditória. Tem coragem de enfrentar a incógnita da morte, mas não tem coragem de superar os próprios problemas? Se foder, cara. A maioria dos nossos problemas está dentro da nossa cabeça.

S: É a segunda vez que toco no tema “suicídio” por aqui; mas não tenho tendências suicidas, beleza? Sou apenas curioso sobre o tema.

07
Abr
09

Violência?

Ontem eu presenciei um assalto à mão armada, no meio de uma avenida movimentadíssima, e não fiz nada. Eu poderia alegar medo, dizer que o cara estava armado e pronto, quem seria o idiota de se aproximar? Pra levar um tiro? Mas não foi esse o motivo. Eu já levei um tiro uma vez e não gostaria de levar outro, confesso, mas se eu achasse que a moça – que estava sendo assaltada – corria qualquer risco maior, eu teria interferido sim, independente do medo. A questão é que o cara não ia atirar. Estava escrito nos olhos dele. Era um moleque ainda, devia ter no máximo 18 anos… Magro, muito magro, certamente com sérias carências nutricionais. As mãos dele tremiam e ele praticamente implorava que a moça lhe passasse logo a carteira para que ele pudesse acabar logo com aquilo. Parece demência, né? Ficar analisando a psicologia de um ladrão… mas não é. Tudo é psicologia, todos os problemas que temos hoje é resultado da mente humana. Se você estivesse com fome, o governo um cu uma porcaria e não tivesse ninguém por você, o que você faria? Pediria esmola no ônibus? “Eu podia estar roubando, eu podia estar matando…”. Eu não faria isso. Talvez fizesse até o contrário… “Eu podia está me humilhando, pedindo de porta em porta, mas estou roubando, porque eu quero comer”. Se não vai pelo amor, vai pela dor. Não é o que se diz?
Eu acho que violência e ineficiência andam de mãos dadas, e crescem em proporções parecidas também. Mas o mais incrível é que quando mais se precisa, menos se faz. O Brasil hoje se encontra entre os mais violentos países do mundo, e os cidadãos já não estão seguros nas ruas, no trabalho e nem mesmo em suas próprias casas. E a culpa é de quem? Dos que matam e dos que roubam? Ou dos que não lhes dão outras opções? Eu garanto que o dinheiro que o cara roubou ontem não fará falta para a mocinha assaltada… ela estava toda bem vestida, cheirosinha, de barriga cheia… chegou em casa e provavelmente recebeu o abraço dos amigos e uma mesada nova dos pais. Enquanto o moleque lá, foi comprar um pão, ou até mesmo cerveja, maconha, crack. E eu não o culpo, beleza? Se eu vivesse no fundo do poço, ia querer encher a cara também, fumar tudo que fizesse aliviar a dureza da realidade.
Os governos, não somente o atual, mas a maioria deles, acham que aumentar o policiamento, super armar o exercito e multiplicar a segurança nos presídios vai resolver o problema da violência. Porra, NÃO VAI. Os policiais ganham uma mixaria… Basta um traficante oferecer uma quantia generosa que ele muda de lado. E os presídios são como lixões, se não reutilizar o lixo, ele vai se acumular tanto que daqui a algum tempo estaremos nadando em lixo. Vocês viram no fantástico – acho que faz duas semanas – um pessoal que conseguiu fazer um carro andar movido a lixo? O carro chegou a 60km/h pow! É disso que eu estou falando, reutilizar, (re)educar, mas principalmente, mexer na raiz do problema. Essa violência de hoje não é exatamente o problema, afinal, ninguém é violento desde que haja motivos pra isso; as pessoas, como qualquer animal, só atacam por instinto de sobrevivência, é quase uma lei da natureza. Tudo isso é conseqüência do desrespeito generalizado que nos acompanha por gerações! O desrespeito tem sobrenome egoísmo e está estampado em todas as injustiças e afrontamentos cometidos; sejam eles sociais, econômicos, em relacionamentos conjugais, irreverência ou excesso de liberdades. Isso produz desejos de vingança, que são transformados em violências. É um ciclo. Vejamos o exemplo do MST: o governo não toma providências para melhorar a situação, e o MST tenta tomar suas próprias providências atacando os interesses políticos.
Precisamos quebrar este ciclo. Dracon pregava leis rígidas. Furto e assassinatos, ambos possuíam a mesma punição: a morte. No entanto, do que adianta usar sangue pra combater a violência? Isso só causaria revoltas familiares, e mais crimes seriam cometidos, causando mais mortes e mais sofrimentos. Mas Dracon tinha um outro ideal: as leis eram iguais para todos, sem restrição econômica ou privilegio por classe social. Isso sim, é algo que deveria ser seguido. Igualdade de direitos, e igualdade nas punições. Já é tempo da sociedade perceber que a violência na verdade não é ação, é reação. É física! Podemos, desta forma, combatê-la diminuindo os diferentes tipos de desrespeitos… Desrespeito econômico, desrespeito social, desrespeito familiar, desrespeito entre as pessoas nas ruas, desrespeito a educação. Em termos pessoais, a melhor maneira de prevenir a violência é agindo com cautela, ajudando quem precisa de ajuda, perdoando quem precisa de perdão, e fazendo o possível para respeitar a todos, em qualquer situação. Nada que eu disse tem caráter religioso, apenas ideológico. Eu sou contra qualquer autoridade governamental; acho que o Brasil seria melhor se não houvesse ninguém acima de nós, julgando-se superior e responsável por todas os desdobramentos positivos e negativos do país. É muita responsabilidade para um grupo pequeno de, tão somente, humanos, fracos, fúteis e corruptíveis. Não os culpo também, eu também ia querer ficar passeando de jatinho, e comprar uma mansão e fazer uma coleção de carros fuderosos. Mas se não vão resolver nossos problemas, estão no poder pra que? O planalto central deveria ser um lugar para bons samaritanos, abstidos de qualquer bem material, que se satisfizessem e fossem felizes com apenas a ventura do seu povo. Enquanto não existirem pessoas assim, eu vou continuar apoiando um anarquismo. Todos por todos e ninguém por ninguém.

31
Mar
09

Confessionário

Eu tenho uma confissão a fazer: não é fácil ser baiano.

Quer dizer, eu gosto da vida que levo na minha cidade. No meu bairro ainda tem algumas residências, o que dá um ar meio de interior, uma coisa mais familiar… tanto é, que eu conheço todos os meus vizinhos por nome, e olhe que faz pouco tempo que me mudei! Gosto também da arquitetura, das construções antigas, da livre expressão cultural, da arborização, da visível miscigenação de raças e claro, adoro as mulheres daqui. Mas além desses detalhes¹, tem uma coisa em Salvador que eu não vejo em todos os lugares: as pessoas aqui são hospitaleiras e simpáticas. E não é apenas para lucrar com os turistas, ok? Eu estou me referindo à gentileza, e ao respeito² que os cidadãos demonstram uns para com os outros; essa nossa mania de andar sorrindo pras paredes, dar bom dia pra desconhecidos e, principalmente, transformar tudo em festa.

Bom, feitas as devidas ressalvas, vamos aos poréns:

1º – Se você é baiano e não gosta de axé³, você é extraterrestre.

Aliás, cabe aqui um passo atrás:

0º – Você é obrigado a ouvir axé desde que tá na barriga, quando a amiga da sua mãe – que olhou o resultado do teste de gravidez de farmácia porque sua mãe estava com medo – dá um sorrisinho maroto e canta: “depois de nove meses você vê o resultado, depois de nove meses você vê o resultado”. E quando nasce, é que a coisa fica preta… Todas as festas, barzinhos e até aniversários de criança tocam axé, não tem como escapar. Outro dia eu fui pra um festival de rock que teve aqui, era uma parada meio underground, com uma galera barra pesada… e adivinha quem fez a abertura? Uma cover de Claudinha Leite! Na moral… se ela fosse uma sósia da Claudinha eu nem ligava, né? Porque a visão compensa a dor nos tímpanos… mas porra, a mulher era feia pra caceeeete, e tinha aquela voz “pseudo-máscula” que todas as cantoras daqui tem. Estilo Ivete, sacoé? Ai quando eu perguntei para um cara – todo com pinta de macho – que putaria era aquela, ele respondeu com uma expressão séria (séria mesmo!): “ôxe velho, a Claudinha Leite é fan do Led Zeppelin!” Agora me permitam discorrer sobre esse tema: só porque a mulher disse que escuta Led, e canta UMA música deles – aquela versão TOSCA e SEBOSA de D’yer Ma’ker –, a COVER dela está qualificada para ABRIR um festival de rock? Faça-me o favor…

Mas ok, feito o desabafo, retornemos aos poréns:

1º – Se você é baiano e não gosta de axé, você é extraterrestre.

2º – Se você é baiano, não gosta de axé e assume ser um extraterrestre, você não é mais extraterrestre, você “quer aparecer”.

3º – Se você não gosta de acarajé: “aff, tu é todo metido a gringo!”

4º – Se você é branco de olhos claros, vai para qualquer estado do sul e diz que é baiano, as pessoas não acreditam. “você, alvo desse jeito? é nada!”

5º – Quando você finalmente convence que é baiano, é obrigado a ouvir pérolas como: “os escravos da Bahia já podem votar, né?” ou então “tá vendo fulano? Eu não disse que tinham gente branquinha lá? Eles que cuidam das senzalas…” e a pior “não acredito…! [cara de espanto] mas você é descendente de português, né?”

Ainda fora do estado…

6º – Se você tira um cochilo depois do almoço: “esses baianos são preguiçosos mesmo, viu?”

7º – Se você trabalha duro sem tirar dia de folga: “taí um baiano trabalhador!”

8º – Se você está tocando violão: “você não toca berimbau?”

9º – Se alguém quer te fazer se sentir “a vontade”, começa a falar “baianês”: “e aí, meu rei, você manda muitas flores pra Iemanjá?”

10º – Na sua despedida, cantam: “Tchau, I have to go now, I have to go now…”

__________________


¹ é lógico que eu não considero as mulheres um detalhe, né? Até porque, o sexo – o tradicional, por favor – depende delas! Mas não me entendam mal, ok? Minha preocupação é a perpetuação da espécie humana.

² aqui também tem favela, e roubo, e assassinato, e exclusão, e marginalização… então entendam “respeito” como uma visão romancista e generalizada, que não deve ser aplicada à problemática social, mas à questão da ética que sobrevive mesmo sob os trancos e barrancos desses problemas.

³ se você gosta de axé e se sentiu ofendendido com esse post… se foda ok? que mandou ter mal gosto?  [brincadeira...] [ou não] [mas sinceramente... axé???]

21
Mar
09

Achismo

Se eu fosse tão bonito quanto minha mãe acha, tão galinha quanto as meninas acham e tão rico quanto meus amigos acham que eu sou, eu acho que eu seria o cara mais feliz do mundo.

É louco isso, não? Todos acham alguma coisa de você, e muito dificilmente esse “achismo” corresponde à realidade. Ontem eu estava na biblioteca estudando para a prova de Planejamento Industrial I, e uma menina chegou pra mim: “que mentira é essa que você está estudando? Sempre achei que você fosse mais um profissional do ócio.” Eu ri, né? Desconversei e voltei a estudar.

Ela estava certa. Eu sou realmente mais um profissional do ócio, se não o maior deles! – ou me tornei um, desde que larguei medicina ando muito irresponsável; suspeito que seja culpa das minhas companhias… – Mas bom, quando a corda aperta na garganta, a gente desiste do suicídio, certo? E eu estou fodido nessa cadeira, que eu posso fazer? É o jeito estudar antes que o ar acabe, ou que a corda arrebente. Já pensou? Sua vida é/tá uma desgraça: sua mãe é um travesti, seu pai é um japonês (sim, você é filho de chocadeira), você tem um pinto pequeno, perdeu o vestibular pela décima vez e sua namorada fugiu com o entregador de pizza. Num belo dia você decide se matar. Você escreve um bilhete de Adeus para o mundo cruel e prepara tudo para se enforcar… amarra a corda no ventilador de teto, puxa uma cadeira, amarra a corda no pescoço, e quando você finalmente pula, após quarenta minutos de oração fervorosa – lembrando que você não acredita em deus -, a corda arrebenta! Aí você não só não morre, como passa o resto da vida numa cadeira de rodas, porque bateu com a cabeça e ficou retardado, ou paraplégico, o que eu acho que é pior… ou não; quem sabe o que se passa na cabeça de um retardado? (sem piadas, por favor). Um mistério… de qualquer forma, se você for se matar, confira se a corda não está podre! hehehe

Mas agora falando sério: não é justo que a única coisa verdadeira que acham sobre mim seja que sou um vagabundo! Sniff!


17
Mar
09

Quase amores 2 (agora é sério)

Se experiência amorosa fosse requisito para o mercado de trabalho, eu estaria predestinado ao desemprego. Modéstia à parte, eu sou bom em muitas coisas. Sou um bom amigo, um bom filho, um bom irmão, tenho grandes chances de ser um bom engenheiro, assim como seria um bom médico, se não tivesse abandonado a faculdade. Eu sou um bom vizinho, um bom estudante, um bom desenhista, um bom ouvinte, um “falante” melhor ainda. Há quem diga que eu sou bom de cama, bom amante e bom na cozinha. Mas como amado, eu sou um fiasco. Amado sob o ponto de vista romântico, e talvez até sob outros aspectos também, mas principalmente quando se trata dessa mistura esquisita de sexo e amor. Não, eu não pretendo fazer uma versão tosca daquela música  de Rita Lee, até porque eu discordo quando ela diz que “amor é latifúndio e sexo é invasão”. Ou melhor, não discordo completamente… afinal, analisando as circunstâncias orgânicas dos termos, sexo é literalmente invasão de latifúndio – ou minifúndio. Depende do “fúndio” hehe (tosquíssimo, eu sei). Entretanto, examinando de forma mais abstrata, o amor também é uma invasão, e é exatamente com essa invasão que eu não sei lidar. A invasão da privacidade, do espaço próprio, a invasão da intimidade. Não a intimidade carnal – essa eu realmente não me importo em compartilhar –, mas aquela outra intimidade, os nossos pequenos detalhes, os pequenos segredos, as manias, os maus costumes, as reflexões. Lembro que uma vez eu estava com uma mina, nós já estávamos juntos há um bom tempo, e num certo momento, em que estávamos calados, interagindo apenas por olhares e sorrisos imprecisos (quando você não sabe se a pessoa está rindo para você ou de você), ela me perguntou:

- tá pensando em que, Cadu?

eu sei que não é grande coisa, qualquer pessoa normal reagiria naturalmente diante dessa indagação; mas eu não. E eu nem consegui disfarçar minha agonia ao pensar que eu não tinha direito nem a pensar sozinho. Eu tentei fingir que tava tudo bem; mas assim como sou bom em muitas coisas, sou muito ruim em outras; e mentir é uma delas. Logo ela percebeu que eu tinha ficado diferente e perguntou o que tinha acontecido, e eu como um bom idiota, expliquei que ela estava sendo invasiva demais, e que eu gostava de manter uma certa distância entre o “eu” e o “nós”. É lógico que ela não entendeu… ficou toda ofendida e pouco tempo depois a gente morgou. Dias depois me disseram o que ela havia dito sobre mim (provavelmente numa dessas idas coletivas ao banheiro, típico das mulheres): “Cadu é lindo, e muito legal, mas não sabe se entregar à relação. Eu poderia tê-lo amado”.

Minha conclusão? Eu não sei mesmo ser amado. E talvez também não saiba amar… Devo procurar algum curso preparatório, ou esperar que alguém me ensine? Fica a dúvida.

16
Mar
09

Quase amores…

Eu gosto de ler, gosto mesmo, mas sou muito seletivo quanto ao que leio. Gosto de literatura brasileira, por exemplo. Não por patriotismo, beleza? se tem uma coisa que eu não sou, é patriota. Na verdade, sou a favor da dissolução do Brasil e da formação do Estados Unidos da América do Sul. ou  melhor, “estados unidos” seria plágio demais; e se tem outra coisa que eu não sou, é pró-EUA! (paízinho mal caráter…) Mas sim, poderíamos então chamar a conglomeração dos países da América do Sul de “Países das Américas Unidos no Sul – PAUS” hehehe. Pense que foda:  só com a cocaína da colômbia, o nosso PNB ia atingir valores orgásticos! Mas claro, nós deixaríamos a Argentina fora da união… Junto com a Guiana, que, diga-se de passagem, só daria prejuízo. Er, mas do que eu tava falando? Oh sim, livros! Eu gosto mesmo da literatura nacional, porque retrata a nossa – seja passada ou atual – realidade. Nem sempre fielmente, é verdade, mas pelo menos trata de temas que nós entendemos e (de certa forma) vivenciamos. Por exemplo, tem coisa mais chata que aquele dilema estereotipado de “Harvard ou Yale”? Faça-me o favor…  A realidade aqui é outra: universidade federal, mô vei,  caindo aos pedaços mesmo, com greve, professores com preguiça de dar aula, salas sem ar-condicionado, um calor miserável, infiltração nos banheiros… (por falar em banheiros… puta merda, alguém precisa extinguir os mictórios das federais!!)  É  isso ou entrar numa dessas faculdades pagou-passou e ir fazer concurso pra trabalhar no Banco do Brasil (isso faz parte da minha teoria “todo profissional frustrado acaba no Banco do Brasil” – discorro sobre o tema numa outra oportunidade); e ainda tem a chance de não passar, hem? Nesse caso, cara, eu aconselho vender Ray-ban falsificado no camelódromo aqui perto do Iguatemi… É a melhor saída. Eu mesmo já comprei uns três! o segredo é não olhar por sol, porque se olhar… Meu irmão, sabe aquela parada de colocar a lupa contra o sol? (espelhos côncavos) então, os raios incidentes tratam convergir para um só ponto, e um abraço! Enfim, (putaquepariu) eu tava falando da literatura brasileira, mas não era sobre isso que eu queria falar – vide título -, isso era apenas uma introdução, pra dizer que eu tinha encontrado um livro nas coisas da namorada de um amigo meu – vela… sabe como é – e inventei de ler. O livro se chama “Dez (quase) amores”, e o pior é que eu dei muita risada viu? ahsuahsuahushausa. Sim, e eu iniciei o post com a intenção de contar um “quase amor” meu, mas agora eu já escrevi demais… Estou com preguiça. Então fica pra próxima!




Quase nada sobre:

Tempo: as vezes quase para, as vezes quase voa.

Dezembro 2009
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